Imagine
a cena: vocês saem de um JANTAR que foi pontuado por TAÇAS DE VINHO e
insinuações à meia-luz, entram no táxi e começa a AGARRAÇÃO. Mão em cima, mão
embaixo, LÍNGUA, pescoço, boca, dentes, tudo. O táxi para e vocês sobem pelo
elevador nessa mesma pegada, para a alegria do entediado porteiro da noite que
acompanha tudo pelas câmeras de segurança. Aí você abre a porta de casa, taca a
bolsa prum lado, a blusa pro outro, ele arranca a camisa, vocês se jogam no
sofá e... Ele fica os 40 minutos seguintes em cima de você no papai-mamãe mais
respeitoso e DEMORADO da sua VIDA, passando a mão devagar pelos seus looongos
cabelos e perguntando se tá bom pra você. Se isso fosse filme, na boa, eu já
tinha DORMIDO com a TV ligada.
Sexo
pra ser bom não pode ter tanto RESPEITO, muito menos compostura. Precisa é ser
mal-educado, mal-comportado e até mal-falado pelas invejosas de plantão, que
não têm coragem de passar pela experiência de uma verdadeira TREPADA, com o
perdão da palavra. Não sei o que aconteceu com as mulheres depois de tanta
revolução. A gente lutou, queimou sutiã, levantou bandeira e fez passeata pra
ter igualdade e liberdade, mas aí a gente não se dá a liberdade de ter TARAS
entre quatro paredes?! Sim, porque não importa se você é professora catedrática
de uma universidade renomada, CEO de multinacional ou rainha do seu lar – na
hora do “vamos ver”, você não precisa manter a pose. Muito pelo contrário,
minha amiga: na cama é que você tem a LIBERDADE de viver suas fantasias, de
viver aquilo que você não vive no seu cotidiano, de deixar que o TESÃO dite as
regras, e não a sociedade, os bons costumes, sua MÃE e, principalmente, sua
razão.
A
razão da gente prega peças. Tem muita mulher aí que é louca pra ter a cara
encostada na parede a ponto de mal conseguir respirar, mas não o faz nem por
decreto, sabe por quê? Porque ELA MESMA não se permite. Afinal, ela estudou
anos pra ser a melhor profissional, varou noites no escritório pra ganhar a
promoção, suou tanto pra ter sua independência financeira e até fez filho no
banco de esperma pra não depender de homem pra NADA! Como justamente ELA vai
achar bom ficar nessa posição de submissa na hora do sexo?! E daí ela não fica.
Chama pra sair aquele carinha do trabalho que tem jeitim-de-credo, os dois
tomam meia garrafa de whisky pra encarar a chatice da vida e fazem aquele
seeexo lâââânguido, aquela pasmaceeeeira, até que um decide GOZAR pra acabar
logo com isso (e, provavelmente, pensa justamente na cara encostada na parede e
no rabo de cavalo puxado pra conseguir chegar lá).
Ser mulher não é fácil e nunca foi. A gente tem que
ser (e parecer) FORTE o tempo todo, no trabalho e em casa. Então não é justo a
gente não se permitir ser o sexo frágil que adora uma pegada mais forte nem na
cama. Ah, façam-me o favor as feministas de plantão! No dia em que a mulher não
tiver a liberdade de DAR COMO ELA BEM ENTENDE e de gostar que o homem mostre
que é MACHO pelo menos na hora de FURUNFAR, como diz meu amigo Ismael de Araujo, a humanidade acaba. Então tratemos
de alongar bem as costas e de deixar os moralismos pra fora do quarto de
dormir.
Obs1: isso tudo me vez lembrar de um filme das antigas que quem não viu ainda PRECISA ver. É "O Último Tango em Paris", pra dançar a tarde toda com Marlon Brando.
Obs2: ontem, na Folha de S. Paulo, a coluna do filósofo-anti-babaquice Luiz Felipe Pondé é EXATAMENTE sobre o que acabo de falar. GENIAL. Pra quem quiser ler, é só clicar aqui.


